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O que é ser doula

Postado dia 01/09/2009 às 11:50 horas, por Administrador.

Suddha Dharma – Projeto DASA

Palestra sobre Doula:

“ Mulheres apoiando mulheres a nascerem mães.”

                                                                    Eleonora de Deus Moraes

1.                O que é doula?

A palavra “doula” vem do grego e significa “mulher que serve”, sendo hoje utilizada para referir-se à mulher sem experiência técnica na área da saúde, que orienta e assiste a nova mãe no parto e nos cuidados com bebê. Seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo.

Antigamente o nascimento humano era marcado pela presença experiente das mulheres da família: irmãs mais velhas, tias, mães e avós acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente e recém mãe durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido.

Atualmente os partos acontecem em ambiente hospitalar e rodeado por especialistas: o médico obstetra, a enfermeira, o pediatra... cada qual com sua especialidade e preocupação técnica pertinente. O cuidado com o bem estar emocional da parturiente acabou ficando perdido em meio ao ambiente hospitalar, tendendo a aumentar o medo, a dor e a ansiedade daquela que está dando a luz e consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.

A doula veio justamente para preencher esta lacuna, suprindo a demanda de emoção e afeto neste momento de intensa importância e vulnerabilidade. É o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, e que passa a ser incentivada agora com respaldo científico.

Os resultados deste apoio vêm trazendo revelações surpreendentes na redução das intervenções e complicações obstétricas, bem como facilitando o vínculo entre mãe e bebê no pós-parto.

 

2.                O que a doula faz?

Oferece suporte emocional através da presença contínua ao lado da parturiente, provendo encorajamento e tranqüilidade, oferecendo carinho, palavras de reafirmação e apoio. Favorece a manutenção de um ambiente tranqüilo e acolhedor, com silêncio e privacidade.

Oferece medidas de conforto físico através de massagens, relaxamentos, técnicas de respiração, banhos e sugestão de posições e movimentações que auxiliem o progresso do trabalho de parto e diminuição da dor e desconforto.

Oferece suporte informativo explicando os termos médicos e os procedimentos hospitalares. Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.

Também atua como uma ponte de comunicação entre a mulher, sua família e a equipe de atendimento, fazendo os contatos que a mulher desejar.

A doula se faz importante até mesmo num parto cesárea, onde continua dando apoio, conforto e ajudando a mulher a relaxar e tranqüilizar-se durante a cirurgia.

Pode estar presente no pós-parto, auxiliando a mãe no seu contato com o recém-nascido e com a amamentação.

3.                O que a doula não faz?

Não realiza qualquer procedimento médico ou clínico como aferir pressão, toques vaginais, monitoração de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos.

Não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

Não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto.

Não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente. Nesse caso a doula orienta o pai ou acompanhante a ter uma participação mais ativa no processo, sugerindo formas de prestar apoio e dar conforto à mulher.

 

4.                Histórico e pesquisas científicas

A descoberta da função das doulas deu-se acidentalmente no final da década de 70, quando dois médicos pediatras norte-americanos, John Kennell e Marshall Klaus, realizavam uma pesquisa sobre o vínculo entre mãe e recém-nascido logo após o parto e perceberam que os partos mais fáceis e com menos complicações tinham em comum a presença da observadora da pesquisa, uma estudante de medicina, que também dava atenção, fazia carinho e segurava a mão das parturientes.

Desde este trabalho original, publicado em 1986, numerosos estudos científicos têm sido conduzidos em diversos países, comparando o cuidado usual com ou sem doula. Os resultados mostram que a presença de acompanhantes treinados durante o parto diminui dramaticamente as taxas de intervenção e complicações obstétricas, além de favorecer o vínculo mãe-bebê e favorecer a amamentação, quando comparadas ao grupo controle. (1-12)

 

Klaus e Kennel publicaram em 1993 em “Mothering the mother“(13) um estudo  onde apontaram os resultados globais da presença da doula no trabalho de parto e parto, como pode ser visto abaixo:

§         Redução de 50% nos índices de cesariana

§         Redução de 25% na duração do trabalho de parto

§         Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural

§         Redução de 30% no uso de analgesia peridural

§         Redução de 40% no uso de ocitocina

§         Redução de 40% no uso de fórceps

Outros estudos (8-12) também mostram claramente que a presença da doula no pré-parto e parto trazem benefícios de ordem emocional e psicológica para mãe e bebê, incluindo resultados positivos nas 4ª a 8ª semanas após o parto:

§         Aumento no sucesso da amamentação

§         Interação satisfatória entre mãe e bebê

§         Satisfação com a experiência do parto

§         Redução da incidência de depressão pós-parto

§         Diminuição nos estados de ansiedade e baixa auto-estima

As revisões da literatura científica elaboradas pelo notório grupo científico da Cochrane Collaboration’s Pregnancy and childbirth Group(3,4) inclui e valida diversos estudos abrangendo uma grande diversidade cultural, econômica e com diferentes formas de assistência. Confirma claramente que a presença da doula no suporte intra-parto contribui para a melhora nos resultados obstétricos, diminui as taxas das diversas intervenções e promove a saúde psico-afetiva da mãe e do vínculo mãe-bebê.

Faz-se importante observar que os melhores resultados foram obtidos principalmente onde as mulheres anteriormente não tinham a presença de nenhum acompanhante, as taxas de intervenção eram rotineiramente elevadas e as doulas não eram profissionais de saúde, ou seja, não exerciam funções outras dentro do hospital.

O mesmo grupo, em sua revisão publicada em 1998 declarou: “Devido aos claros benefícios e nenhum risco conhecido associado ao apoio intra-parto, todos os esforços devem ser feitos para assegurar que todas as mulheres em trabalho de parto recebam apoio, não apenas de pessoas próximas, mas também de acompanhantes especialmente treinadas. Este apoio deve incluir presença constante, fornecimento de conforto e encorajamento.” (4)

Atualmente a atuação da doula é reconhecida e recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Ministério da Saúde.

 

 

5.                Bibliografia

1. Apostila do CURSO de doulas: Associação Nacional de doulas. [S.l.,s.d.].

2. Chammers B, Wolman W. “Social support in labor: a selective review”. J Psychosom Obstetric Gynaecol 1993 March; 14(1):1-15.

3. Hodnett ED, Gates S, Hofmery G J, Sakala C. “Continuous support for women during childbirth” (Cochrane Review) In: The Cochrane Library, Issue 3, 2003.

4. Hodnett ED.“Support from caregivers during childbirth” (Cochrane Review) In the Cochrane Library, Issue 2. Oxford Update Software, 1998. Update quaterly.

5. Klaus MH, Kennel JH, Robertson S, Sosa R. “Effects of social support during parturition on maternal and infant morbidity.” Br Med J1986 sept.; 293-585.

6. Kennel JH, Klaus MH, Mcgrath S, Robeterson S, hinkley C. “Continuous emocional support during labor in US Hospital.” JAMA 1991 May; 265: 2197-201

7. Leão MRC, Bastos MAR. “Doulas apoiando mulheres durante o trabalho de parto: uma experiência do Hospital Sofia Feldman.” Revista Latina Americana de Enfermagem, Maio 2001, vol.9, no.3, p.90-94. ISSN 0104-1169.

8. Sosa R, Kennel JH, Klaus MH, Roberteson S, Urrutia J. “The effects of a supportive companion on perinatal problems, length of labor, and mother-infant interaction.” N Engl J Med 1980 Sept.; 303:597-600.

9. Garcia C. “The eigth Doula study: social support during birth in Mexico.” Conference proceedings of Doula of North America, Austin, TX, June 20, 1997, 89-93.

10. Hofmayer J, et al. “Companionship to modify the clinical birth envoirment: effects on progress and perceptions of labor and breast-feeding.” Br J Obstet, 98:756-764, 1991.

11. Landry SH, et al. “Effects of Doula support during labor on mother-infant interaction at two months.” Pediatric Res, 43:13A, 1998.

12. Wolman WL, et al. “Postpartum depression and companionship in the clinical birth envoirment: a randomized, controlled study.” Am J Obstet Gynecol, 168: 1388-1393, 1993.

13. Klaus M, Kennel J. “Mothering the mother: how a doula can help you to have a shorter, easier and healthier birth.” Hardcover

14. Fadynha. “A doula no parto: o papel da acompanhante no parto especialmente treinada para oferecer apoio contínuo físico e emocional à parturiente.” São Paulo:Ed Ground, 2003.

 

 

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