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BHAGAVAD GITA:O LIVRO DE CABECEIRA DE GANDHI

Postado dia 31/03/2008 às 18:38 horas, por Administrador.

BHAGAVAD GITA:

O LIVRO DE CABECEIRA DE GANDHI

Rubens Turci, PhD

India: Religião, Filosofia e Cultura

Pesquisador Associado do NETCCON.ECO.UFRJ

Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência

Universidade Federal do Rio de Janeiro

zrubens@uol.com.br

 

Gandhi (1869-1948):
o principal porta-voz da Gita no Ocidente

            A vida não deveria ser simplesmente desfrutada; a vida é uma oportunidade sagrada para cada um empregar cada uma de suas potencialidades a serviço da humanidade e da própria vida.

O Nascimento de Satya-agraha
(Satya= verdade, realidade, bem; agraha= agarrando-se, insistindo)

Gandhi prega a não-cooperação fundada na desobediência civil (termo cunhado por Thoreau):

 

Só há uma alternativa para aqueles que são como eu: morrer, se preciso for, mas jamais se submeter a esta lei” (Na Africa do Sul de 1906, a “Asiatic Law Amendment Ordinance” propunha a discriminação dos asiáticos).

 

Os “Experimentos” com a Verdade/Realidade (Satya)

A Marcha do Sal de 1930:

Agarrando-se à verdade do sal: “Salt Satyágraha”

 

           Cunhado como reação ao rótulo “resistência passiva” (além de não ser “passivo” o método gandhiano não se limitava a “resistir”), satyágraha passa a representar o sentimento de que a realidade é não-dual, bem como o consequente método de ação, que se  funda nessa compreensão da unidade da vida.

 

           Satyágraha representa um entusiasmado estabelecer-se no real, que em inglês tem sido traduzido como “soul force” – “a força do espírito”.

Martin Luther King iria referir-se a satyágraha como “love-in-action” – “o amor em ação”.

 

Satyágraha no Ocidente

 

·        Satyágraha não se opõe ao funcionamento da razão, pelo contrário, a liberta de sua inércia dogmática, para que esta tenha coragem de se estabelecer na verdade, sem preconceitos.

 

Identificando a força que move e dá sustentação ao real

 

·        Gandhi foi um homem de ação, que submetia as suas idéias ao escrutínio da experiência cotidiana, de acordo com a metodologia da Gita, baseada nesse sentimento de genuíno compromisso com o que é verdadeiro.

·        Testada durante décadas, tanto na África do Sul quanto na própria Índia esta metodologia identificada em satyágraha tornou-se a espinha dorsal de quase todos os movimentos pacifistas contemporâneos.

Satyágraha e a Gita

 

·        Quando se percebe que não se deve cooperar com o mal…

·        Quando se desenvolve a necessária coragem para lutar pelas causas justas...

·        Quando não se tem nenhum sentimento negativo, ou de vingança, em relação ao opressor…

·        Quando se compreende e vive em estado de ahimsa (não-violência)…

·        Quando o amor e a compaixão tornam-se os motores do ativismo político e sócio-ambiental…

·        Quando a trajetória no plano espiritual e individual reflete a trajetória no plano concreto e social…

·        Ai a gente percebe que satyágraha representa o termo moderno que sintetiza o conselho que Krishna deu a Arjuna na Gita.

 

A shraddhá da Gita expressa-se como
 satyágraha
em Gandhi

 

           A Gita descreve o exato momento em que a batalha final entre dois clãs que disputam o trono está para começar.  Indeciso, e considerando a possibilidade de desertar de suas funções, Arjuna, o irmão do príncipe herdeiro, pede o conselho de Krishna.  O diálogo entre ambos representa um esforço teológico de reflexão sobre o papel de shraddhá (entusiasmo, fé, fervor, devoção, força do espírito) no processo final de tomada de posição ante seu dilema moral.

 

Por que estudar a Gita?

 

·        A Gita funciona como um tratado de filosofia da ação.

             Ao fazer a sua mente centrar-se nos valores do coração, conforme prescrito na Gita, Gandhi, por exemplo, experimenta de shraddhá (satyágraha) – uma espécie de bússola a indicar o processo de tomada de decisões.

·        A Gita funciona como um upanishade  na  revalorização da esfera do mito e dos símbolos.

            Através do universo do simbólico, a Gita introduz batalha que ocorre em nível individual no complexo corpo-mente com a mesmo grau de realidade que a batalha real que se dá no seio do tecido

social. Daí a Gita espelhar o processo de busca de critério para a tomada de decisão.

 

            ·        Upa-aya – uma semente que indica um caminho, conceito, método, plano ou disciplina, que faz convergir para a meta desejada. Upa-aya indica os modos de aproximação.  O prefixo upa indica proximidade. O termo aya indica movimento.  Logo, upaya é o caminho, ou movimento de convergência para a meta.

·        Upa-desha – a transmissão de upayas (conceitos) pelo coração.  Do verbo dis, que significa comandar, indicar, mostrar, promover, comunicar.  Este verbo indica também uma forma coloquial do verbo drs, ver.  Daí que upadesha represente a experiência da comunicação.

Upa-ni-shad – literalmente, sentar-se aos pés do mestre para receber as upadeshas.  O prefixo ‘upa’ signigica ‘próximo’, ‘ni’ significa ‘interno, interior, subjetivo’. O verbo ‘sad’ significa sentar-se. Daí que Upanishade indique um corpo de upadeshas estabelecidas aos pés do mestre.

Bhagavad Gita:

         Uma reportagem produzida no antigo oriente conforme a estratégia da comunicação não-violenta

(BhG 1.1) Dhritarashtra disse: Ó Samjaya! Reporte o que está se passando no campo do dharma, o campo dos Kurus, onde, reunidos e desejosos de lutar, se defrontam o meu exército e aquele dos filhos do rei Pandu.

 

O dualismo de Sukha and Duhkha

 

  • Kha =  cavidade, buraco, caverna, abertura, vacuidade, espaço vazio
  • Su-kha = tendo um bom sistema de eixo = rodando sem atrito, prazer, felicidade, suavidade, etc.
  • Duh-kha = doloroso, desconfortável, difícil, incômodo, sofrimento etc.

 

NÃO-DUALISMO E CONSCIÊNCIA SÓCIO-AMBIENTAL

 

          O não-dualismo implica a compreensão da existência como uma Unidade Complexa (dharma), onde toda a multiplicidade da vida aparece possuindo uma mesma natureza.  Daí o não-dualismo poder ser expresso como consciência sócio-ambiental.

Dualismo Ocidental e Não-dualismo Oriental
The Expressiveness of the Body (Shigehisa Kuriyama, Zone Books, 2002)

Gita: do samsara ao nirvana

 

VIPASSANA BHÁVANA:

DESPERTANDO A CONSCIÊNCIA SÓCIO-AMBIENTAL

 

Penso com amor

Que todas as coisas e seres

Surgem de dentro do Ser Universal

Que a tudo compenetra e a tudo sustém

Em constante equilíbrio e em vida eterna

 

Penso com amor

Que todos os seres do sistema evolutivo

Participam de uma mesma vida e formam

Nos espaços infinitos, um só corpo cósmico.

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