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Doença, transformação, cura e plenitude

Postado dia 16/07/2007 às 10:03 horas, por Administrador.

                       Doença, transformação, cura e plenitude.
                                      
Telma Jábali Barretto

 


     Falarei  de doença e saúde, no sentido  mais amplo e Suddha, principalmente, porque o enfoque  mais comum é bem diferente, então, quanto mais esclarecemos, melhor  viveremos, ententendo que  saúde  passa pelo que vivemos o tempo todo que  tem completa relação com  energia que gera ou não equilíbrio. Saúde, no contexto humano, é vigor físico e mental, como descrito no dicionário. Falar de saúde sem falar nos corpos, cinco, como dividimos no conceito Suddha  fica incompleto. Saúde foi mudando para vigor físico, mental e social. Hoje não tem como estar bem, fisicamente, dizer que estou  bem relacionando à prakiti,  corpo denso só. Estar, bem e só, é estar bem no contexto em que  se vive. Nesse conceito  saúde passa pelo modo que você, estando bem reage com o meio, até porque não somos ilhas. Estar bem sozinho, isolado é mais comum e fácil.  Na Prática da Saúde  que realizamos se diz prosperidade material e espiritual que difere de simplesmente dizer que  o corpo físico está funcionando bem   e é essa questão  porque a SD não é uma escola espiritualista que é aquela que privilegia ou potencializa o espiritual.
     A vida física, como é descrita aqui,  a matéria é tão divina quanto o espírito. Dizemos que temos que tratar a vida material dentro desse corpo físico, relacionada a bens, a dinheiro, em um conceito completo: a vida espiritual, dentro dessa matéria  que é essa realidade que vivemos. A Suddha Dharma não propõe que você deixe a vida material, sair do mundo, ao contrário, viva bem  no mundo material. Essa é a proposta diferente porque é uma vida integral, por isso ela é uma escola às vezes difícil. Saúde é esse conceito de se estar, bem, nos cinco corpos, integrados e unidos e, para isso, é importante que  tenha dado  boas condições , de alimentação, de equilíbrio, que só é feito com seu corpo superior de discernimento filtrado no mental superior  no conjunto de todas as circunstâncias e aí sim vivendo em plenitude, em ioga, união que se busca conquistar. Não é um dos corpos falando uma coisa e outro falando outra coisa, e você todo fragmentado e não unido, oposto ao que seja  Ioga. Ter uma boa relação com bens materiais, dinheiro é importante, mas  se torna dificuldade na com relação ao espiritual no mundo atual em que se  focam só o material e ainda mais com apego. Não é só pelo dinheiro, apego também pelas experiências espirituais, orgulho, vaidade por uma quantidade  de outras coisas e o que temos é que aprender a tratar tudo com o devido equilíbrio: uma coisa é seu corpo físico e suas necessidades e outra coisa é seu corpo espiritual com também as suas. Devemos tratar bem desse veículo, da mesma forma e com o devido respeito devemos tratar nossa vida espiritual, o nosso espírito. Isso é muito importante na Suddha Dharma. Se não tratamos bem ambos, como vamos chegar na Ioga, plenitude, se  deixamos um pedaço para trás e consequentemente não estamos completos, inteiros ,integrais. Grande dificuldade se torna o conceito aqui  porque  aqui se ensina  que devemos trabalhar sempre com esse sentido sintético que une tudo,  leva tudo, não separa nada, não divide nada abarcando tudo.
     Vemos hoje no mundo essa diferença e desequilíbrio entre o oriental e ocidental: um quase que só  envolvido com a vida material e outro só a espiritual que é como  vemos  também o desequilíbrio dessas duas forças em nós, ou seja, lado masculino (assertivo, guerreiro, racional) e o outro lado feminino ( passivo, emocional). Para chegarmos à plenitude humana,  temos que juntar e equilibrar os dois lados, oriental e ocidental, macho-fêmea, Yin-Yang, ida e pingala, porque é o casamento das duas forças que vai gerar equilíbrio, saúde com razão e emoção harmonizados. Casar razão, critério, com sentimento, coração vai gerar a polarização  que  nos organiza. Há uma frase de Sri Vájera, nosso Mestre já falecido  que repetimos muito: duas asas equilibram o anjo, a sabedoria e o amor.
    Doença vem de como  recebemos a energia através dos  chackras. O segundo chackra recebe toda  gama de sensações ao nosso redor. É por onde percebemos o ambiente. Através desse chackra vamos sentir, se  estamos ou não confortáveis, e conforme  chega em nós, dependendo do equilíbrio emocional  com que  recebemos  mantemos ou não a saúde. Se isso chegar de forma que  desequilibra, desarmoniza,  vamos querer contestar, responder, ou   fragilizar,  e aí nos perdemos por  inteiro, e,  assim começamos o desequilibro e, conforme mantiver esse, traço, mais ou menos continuado ao longo da vida, vamos perdendo ou não a saúde, porque  perdendo o centro diante dos fatos, perdemos o foco, e sendo afetados por tudo  que vem de fora interfere dentro. Não conseguindo conviver com crítica ou com o elogio e é isso que o segundo chackra  faz respondemos no  emocional bem básico. Em seguida, como conseqüência vem a resposta de terceiro chakra que tem a memória, de tudo quanto fomos absorvendo, bem ou mal no anterior.e  acontece,então,  o outro mecanismo. Vamos contatar com o medo ou desejo, que nos move ou paraliza, e, se desarmonicamente,  bagunçamos tudo lá dentro. Fica tudo desarrumado. Se  trabalhamos bem colocamos tudo no lugar, se não,  fica tudo em  desarmonia  que  crescendo,  tomando proporção,  mais  e mais volume, por fim  chegará no  corpo físico. Quando chega no físico já desorganizou tudo antes. Começou no emocional/ mental que não conseguiu assimilar, digerir uma crítica, diferença, ou sentimento que nos tenha fragilizado deixando-nos chateada, nervosa, emotiva mesmo respondendo de qualquer jeito, fazendo a partir de então, sem uma alerta de atenção consciente reações para se defender, ou agredir, funcionando, assim num alerta mecânico, baseado em respostas e procedimentos automáticos que já vivemos no passado e registrados nesse terceiro chacka. Ou vamos agredir ou ficar no cantinho regredido, como os psicólogos gostam de afirmar, e aí pára tudo e vai ter  que em algum lugar desaguar. Quando você faz isso uma vez, ou faz essa  mesma atitude uma vida inteira, em algum momento, chegará no físico, porque o organismo precisa dar vazão àquilo que ele está sentindo e se não acha  onde dar vazão, adoece. Essa é a forma de chamar a atenção. A doença está longe de ser algo negativo. NãO! Tudo é necessário. É sim a melhor amiga, porque é quem fará  o alertar, acordar. Você está se agredindo demais,  não está se equilibrando, ficando fora do seu centro. Então vem a doença. Ela é um alerta.
     Há a doença positiva e negativa. A negativa quando acontece é para corrigir e é muito normal. Comum aquela pessoa que vive com problema de coluna, outra de estômago ou o que seja e  que, isso determina o traço uma forma de  reação e que gera aquele tipo de doença. O corpo responde porque é o jeito que  reaje naquele segundo chackra, porque vivemos no piloto automático, piloto esse que a meditação tenta desfazer, pondo a pessoa em estado de atenção. Então essa doença negativa é corretiva, Para acordar e dizer que se está errando muito neste mesmo lugar. Aí quando se diz que tem uma dor de cabeça recorrente, pode atentar que aí tem um traço de sempre, voltar aos mesmos processos. É a doença tentando  fazer o despertar.  Seja  como a febre, a dor,  o problema. Quando chega no corpo físico ou na matéria, é a última chance  de prestar atenção, e aí podemos dizer que todos que estão doentes estão sendo corrigidos, punidos... Não! Não é isso que falamos porque estamos aqui em uma escola e não é esse o contexto.
    A doença  positiva também pode acontecer quando se passa por uma iniciação. Tem um processo que prepara aquele campo para que aquilo aconteça, que é quando se faz necessário algum tempo poupando um pouco o organismo físico, limpando o corpo. É preciso parar e receber ficando assim mais fácil a iniciação ser absorvida. E, às vezes, é o inverso, acontece a iniciação, uma pequena energia que o corpo recebe a mais e tem que ter o repouso para  poder assimilar aquilo que desceu ali,  aquela diferença de energia que veio. Então  não se pode dizer que se está fazendo tudo errado aí vem a doença e nem todos também, que estão doentes, estão passando por iniciação. A Suddha Dharma é uma escola de auto-realização, e aqui  temos que aprender a saber o que se está vivendo. Então  é o  processo da doença que cria uma linguagem que precisamos aprender a fazer sua leitura.
      Caminhamos para o quarto chackra: AMOR. Amor é fundamental. Além de ser o CG dentro de nós, Centro de Gravidade, nesse lugar, que fisicamente sabemos é o eixo onde somos espírito. Aqui começamos a desenvolver o que cura qualquer doença. Qualquer problema nosso só é curado por essa panacéia que é o amor. Quando nos sentimos agredidos, ou agredimos alguém, aqui, faltou compaixão, respeito, amizade, tolerância, amor por mim ou pelo próximo, e temos que  processar isso. É fácil funcionar na proposta Suddha? Não! Não falamos que seja fácil, mas esse é o per-curso do Dasa. É com isso que crescemos, com os problemas, com as diferenças, com as dificuldades que vamos burilando e isso, como já dissemos e voltamos a repetir, é o per-curso do discípulo. É assim que vamos mudando. Vamos literalmente esbarrando na pessoa certa, que mexe com o seu problema, levanta as suas dificuldades. Tem uma frase, na Luz do Caminho (Mabel Collins), que diz "nenhum homem é teu amigo, nenhum homem é teu inimigo, todos são igualmente teus instrutores". Olhar para a humanidade desse jeito, sabemos que é
respeito por toda e qualquer pessoa. É curar a alma da pessoa naquilo que tem problemas: um tem problema com dinheiro, outro tem com o corpo, o outro, afetivo. Essa é a cura que está na base de cada pessoa. Não vamos propor cura paliativa. Essa não é a disposição da Suddha Dharma. Queremos é realmente curar a alma. Essa é a metamorfose e transmutação que estamos oferecendo.
    Aqui podemos dizer que coerência leva à saúde e saúde nesse sentido pleno leva à plenitude. O que vem a ser coerência? É a trajetória que sabemos dos quatro dharmas da Suddha Dharma: conhecimento, vontade, ação, sendo a atitude a finalização de uma seqüência de coerência iniciada no conhecimento, motivada pelo coração e vivenciada no aqui, agora, presente. Quando falta coerência estamos nos traindo. Acreditamos nisso, lemos sobre isso, falamos sobre isso, mas não conseguimos vivenciar isso. Não levamos a sério, ainda, o que estudamos, ficando tudo como uma bonita teoria e só. Como não nos levamos a sério, também não levamos a sério o vizinho, o próximo, o irmão, marido, parente, tio, funcionário, porque não nos respeitamos e, sendo comigo incoerente, conseqüentemente, levamos essa corrente para nossa convivência num continuado desrespeito por si e pelo próximo, numa cadeia mecânica, viciada e tão geradora de doenças. Ficamos só nisso com muita teoria como é um computador ou livro, cheio de memória sem qualquer metabolização que devemos fazer para que o conhecimento de fato produza o que deve produzir se verdadeiramente nos ilumina.
    Contatarmos com aquilo que conseguimos, ou não, que, estando dentro, vai fazer movimentar as águas (emoções), que estão ali dentro e queremos, às vezes, manter paradinha, fazendo de conta que está tudo bem. Isso pode nos levar a ter mais saúde, porque, vivendo bem com o que vem de fora e de dentro, se está em processo de análise e unificação (Sankhya e Ioga), de cabeça que discerne e coração que sente e que, continuadamente, busca equilibrar. E como já falamos pares e opostos, que são opostos e complementares, como aquelas representações do Yin e Yang, masculino e feminino, negativo e positivo, o lado acertivo que temos, guerreiro, de atitude. Outro lado, acolhe, olha, pára, respeita, sente, e isso gera equilíbrio e saúde. Temos toda essa força de ação, agora devemos aprender a ter essa força de respeitar a natureza, o processo, os tempos, as estações e acolher o feminino e trabalhar com o feminino que é a algo muito ameaçador para nós.

     Trabalhamos, no milênio anterior, razão. Agora vamos trabalhar o emocional. Quer coisa que mais nos ameaça? O lado feminino nos dois sentidos: o emocional nosso que é quando respondemos na raiva, medo, defesa, ou agressão. Ficamos desconfortáveis nesse lugar, aí, como já dito, regredido. Respondemos para defender, pura e simplesmente não querendo saber, ou agressivamente, até como quem bate de frente, encarando. Ficamos com medo de nós mesmos quando vivemos esse estado. Ninguém gosta de se ver assim, nesse lugar e não ficamos contentes conosco mesmos. Vamos ter paciência conosco. Estamos no processo, estamos no per-curso.
 O outro lado do emocional, o da paixão, também nos apavora porque perdemos a cabeça. Estamos falando desde o apaixonado por uma idéia até por alguém. Nada ameaça mais o ser humano que isso. Ele fica à mercê de si mesmo e de sua sagrada lógica. Tratar com naturalidade essas duas facetas, esses pares e opostos é parte do processo do equilíbrio que nos levará à maturidade como ser humano. Aprender a olhar para as duas facetas: raiva, medo, agressão, paixão, inocência, ilusões, que é a faceta infantil da humanidade com a qual estamos aprendendo. Aprendendo como? Vivendo. Não tem outro jeito. O caminho é confrontar a emoção, não é fugir dela. É olhar para ela com a mesma paciência, com o mesmo cuidado que olhamos para qualquer outro lado da vida. Então essa coerência é que leva a mais saúde, a mais plenitude. Vamos tendo um olhar com equilíbrio, com a visão Suddha, sintética, que tudo faz parte. Isso está no meu vizinho e em mim, é parte do mundo. Tratar o mundo, a dor, o problema, a dificuldade, a divergência com naturalidade, isso é parte da vida e são os pares e opostos  que vamos trabalhar com naturalidade. O desafio é esse.
      A proposta do discípulo é essa: rasgar tudo. Vamos aprender a ser inteiros e honestos e, para sermos inteiros e honestos, no estágio que  estamos, passa pela necessidade de confrontar com essas coisas feias que estão dentro de nós e fora também, são postas à prova quando convivemos. Não somos só espírito com aquela visão purista e separativista sem sombra, matéria ou negatividade. Para chegarmos à plenitude temos que ir assimilando, trazendo, fazendo as pazes com todo esse lado agressivo, ruim, complicado e essa negatividade em nós. Transmutando em nós.
      Finalizando, falaremos como referência novamente da Prática da Saúde para não esquecer os deveres como pai, mãe, filho, irmã, empregado, cidadão e como ser humano que é quando estamos no mundo. Esses deveres não há lugar onde você não esteja exercendo um deles. Não deixe de levar você,  com toda sua proposta Suddha, para onde você for no mundo. Comece em casa, como profissional, como ser humano e você como cidadão, fazendo esse exercício. Seus deveres, cumpra-os da melhor maneira, da melhor maneira Suddha é o que Sri Vájera nos fala no final como comentário dessa prática, que aqui é um hospital, e que se tiver que convidar alguém para esse caminho, que você escolheu como escola de auto-realização, faça-o através da verdade e do amor. Falar a verdade é fácil, mas falar com amor é muito mais difícil e isso mostra que estamos nos tornando Dasas, ou melhor, nos tornando seres humanos plenos, e principalmente se for via exemplo que é muito mais difícil ainda.
     É esse o per-curso que essa meditação, que pode curar como também levar a plenitude, nos propõe realmente de forma magistral, ensinando que nos exercitemos na prática diária, fortalecidos pela energia que assim assimilamos para metabolizar através da análise e da comunhão, tornando-nos seres humanos integrais.


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