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Concepção - Nascimento

Postado dia 13/02/2007 às 19:46 horas, por Administrador.

CONCEPÇAO – Nascimento

Gnana Dhata Telma Jábali Barretto

 

 

            Mais do que falar do nascimento, propriamente dito gostaríamos de falar de dois enfoques da concepção; aquela que nos trouxe aqui e a que podemos promover, seja como vida ou como idéia que consigamos materializar.

            Há uma palavra sânscrita que também traduzimos como concepção que é Bhava, motivo, ou melhor conceituando: “E produto do veículo mental do homem (Manas), que é veículo do desejo (Iccha)”, Sri Janardana.

            A concepção é por si o ato mágico que faz a Vida que nunca deixa de existir, tomar corpo, forma. No sentido da vida humana, a partir do encontro dos opostos complementares: yin-yang, macho-femea, homem-mulher, positivo-negativo, Ida e Pingala. Esse encontro, longe de ser algo momentâneo, por mais superficial que possa acontecer, move uma enorme quantidade de informações, dados e conjunturas que vão dirigir aquela estória de alma que para ali será atraída, exatamente pela mesma densidade vibratória que, naquele instante, se produziu no ato físico gerador da nova vida. No sentido de nascimento de um novo projeto, ou idéia, também é do encontro da força positiva, guerreira, masculina ou de escola, que age, e da força feminina, passiva, negativa ou de entrega que sabe acolher, esperar, deixar acontecer é que tudo se concretiza.

            Como sabemos, a vida que fica contida nesse corpo físico é um conjunto, uma interação de outros corpos mais sutis que costumamos simplificar ou até confundir, minimizando tudo nesta forma física que mais facilmente reconhecemos. Para que este corpo tome consistência, se é que podemos assim dizer, deve ser gerado a partir do material cedido pelos pais, óvulo e espermatozóide, e organizados pela individualidade que ali se aloja para dar forma, desde esse material até os outros mais sutis, que são também construídos com a energia que aquela alma já é capaz de atrair e condensar em torno de si, vibratoriamente falando.

            Começando então pelo material, podemos dizer que, com aquilo que recebemos dos pais, com toda a carga genética, positiva ou não, assimilamos ou triamos, dependendo de nossa capacidade de melhorar ou simplesmente usar aquilo que nos foi cedido. Se somos maiores que nossos pais, podemos filtrar ou até eliminar parte ou toda carga de doenças, imperfeições ou debilidades que naturalmente viriam pela herança daquilo que nos foi oferecido se, em nossa jornada, não necessitamos de tal experiência. Se somos menores que eles, já não temos este mesmo poder e até uma simples debilidade poderia aparecer em nós, maiores do que neles possa teria manifestado. Também precisamos esclarecer que a alma que ali se organiza, para uma nova oportunidade, atrai para si aquilo que precisa para fazer o máximo em sua trajetória evolutiva, seja por um processo consciente, buscando tais circunstancias, seja por um processo assessorado pelos Mestres se não existe ainda ali maturidade espiritual para essa própria autoconduçao. Continuamos formando os outros corpos, também a partir de nossa capacidade de organização dos elementos que vibratoriamente nos são próximos. Não podemos formar um corpo áurico, de prana, que não seja forjado pelo nosso tamanho e tipo de emoções que nos são inerentes. Nosso corpo mental também será formado pela qualidade de pensamentos com os quais nos estimulamos e alimentamos e, finalmente, nosso corpo intuitivo será formado pela qualidade de subjetivações, orações ou meditações que façamos ou não.

            Na verdade, a seqüência que aqui descrevemos é exatamente a inversa. Quando somos concebidos, o último corpo a ser formado vem a ser o próprio corpo físico. Nossos desejos não realizados e compromissos não cumpridos nos carregam de volta para este plano físico, possibilitando nova oportunidade em que a infinita misericórdia divina nos concede para que possamos nos reconciliar conosco mesmos. Por isso mesmo dissemos anteriormente que para que uma concepção ocorra, existe antes enorme quantidade de emoções, desejos, culpas e sabes-se lá quantas e complexas situações que nos arrastam compulsoriamente para uma nova chance de nos tornarmos inteiros, sintéticos, completamente unos. Operamos quantos retornos sejam necessários até que possamos nos tornar verdadeiros “filhos pródigos”, que reconheçam em si a presença divina e, aí sim, liberados para ir e vir não mais por necessidade ou compulsão, mas no pleno exercício da vontade e critério, ou seja, amor e conhecimento. Diríamos mais, concluindo como aqui nascemos, que aquilo que realmente formamos é só e tão somente o corpo físico, já que os outros são parte da carga evolutiva, que ao longo das existências anteriores, fomos construindo com nossas experiências, ou seja, nosso corpo áurico formado pelo conjunto de potencial de absorção através de nossos sentidos. Nosso corpo mental formado pela capacidade e qualidade de entendimento, informações pelas quais fomos nos interessando, aprendendo e absorvendo; assim como no corpo intuitivo com a densidade e sutilezas com as quais fomos também aprendendo a subjetivar, meditar, contatar, vivenciar.

            Assim é que voltamos a dizer que qualquer nascimento vem carregado dessa complexa carga de informações que nos trazem de volta a este plano, normalmente movidos por uma enorme gama de desejos e medos já que funcionamos mais basicamente até o terceiro chakra, que é dessa forma alimentado.

            Queremos abordar um pouco mais sobre a importância que tem para nós que temos essa visão Suddha da evolução e encarnação, como sendo um momento de oportunidade e mais uma das infinitas chances que teremos para alcançar a plenitude humana, chegando às experiências de Turya ou até Turyatita, em que contatamos de forma gradual com nossa centelha divina.

            Achamos de fundamental importância que tenhamos clara e Suddha percepção do ato em si da concepção que, obviamente, passa pelo ato sexual, de nossos pais, se tratamos de como fomos concebidos ou da concepção da qual seríamos responsáveis pela vinda de outro ser. A depender de nosso tamanho espiritual, do nosso grau de consciência somos atraídos positiva ou negativamente por esse ato conceptivo, no caso de nossa própria concepção. De que forma? Se somos vibratoriamente maiores que nossos pais para ensiná-los, se somos menores que eles para ali aprender, mas, de qualquer forma, existe ali uma certa ressonância vibratória entre o ser que será concebido e qualidade de sentimentos, entendimento e harmonia no momento conceptivo, ou seja, no próprio ato físico que nos atrairá para essa nova oportunidade evolutiva. Se aquilo que entendemos como vida é a mais pura e simples maneira de viver, ou seja, atender só as necessidades básicas que satisfaçam o corpo físico no sentido de segurança ou, ao contrário, se nosso entendimento é mais complexo, subjetivo mesmo ou, ainda, simplificando, se nosso entendimento pe espiritualista, materialista ou até Suddha que integra e sintetiza tais conceituações, o Bhava, e conseqüentemente, a densidade vibratória que nos atrairá terá também essa mesma natureza vibratória.

            Sabemos da enorme complexidade de tabus que viemos vencendo ao longo do último século em relação ao sexo e, principalmente, nos meios como os nossos como tudo isso fica inda mais complexo em razão das teorias religiosas, castradoras e libertadoras e, principalmente, da responsabilidade com que olhamos para a vida num contexto mais amplo. Dizemos como linha geral, baseados nos conceitos de meditação que temos que devemos ser inteiros, isto é, plena atenção em tudo que fazemos e sempre percebemos o conflito gerado na maioria dos discípulos, quanta perda de energia por conta disso como conseqüência.

            Da mesma forma quanto descrevemos que a concepção humana só se materializando finalmente no corpo físico como resultado de um anterior conjunto de processos muito mais amplos, subjetivos, de desejos e medos, que nos arrastam de volta para este plano material, maximizando este processo diríamos, que ao longo da evolução humana e planetária, acontece o mesmo. Chegar a construir nosso corpo, cada vez mais conscientemente, assim como usá-lo, conhecê-lo sem dogmas, sem pré-conceitos e logo, podendo funcionar nele com mais sabedoria e amor, mais cabeça e coração, escolha e entrega (Sannyasa e Tyaga), respeitando a própria natureza e, mais ainda, nos tornando aí, sim, plenos, sintéticos, verdadeiramente yoguicos. Não tem como não citar a importância da revolução trazida pelos conceitos que Freud tão corajosamente expôs sobre libido, sexualidade provendo discussão, questionamento e, naturalmente, crescimento sobre a forma de lidarmos com a complexa natureza humana. Ele fez um starter revolucionário e obviamente necessário, cronologicamente administrado pela Hierarquia Divina no sentido de nos levar à completa realização humana a partir desse também completo conhecimento de nossa inteira condição, saindo das mais subjetivas análises do Ser até o pleno e mais concreto conhecimento do lugar, corpo em que este mesmo Ser, em sua plenitude, deve aprender a se manifestar no sentido mais absoluto da criação. Não tem como não associar historicamente que foi também no mesmo momento evolutivo do planeta que iniciamos o domínio, ou melhor, o começo de nossa capacidade de interferir de forma cada vez mais concreta e objetiva na evolução do lugar, Terra, em que habitamos. Claro que errando e acertando, tanto com nossa natureza sexual, nas quebras de instigadoras, bonitas e questionáveis descobertas e invenções no mais encantador e despertar da potencialidade humana. Naquele mesmo momento evolutivo do planeta, acontecia a abertura de uma mais racional espiritualidade (espiritismo, teosofia, Suddha Dharma e uma grande quantidade de mestres que ali nasceram), de novas ciências e posturas sociais como a própria revolução industrial.

            Na Suddha Dharma, definimos a idade em que vivemos como Kali Yuga, Idade de Ferro, aquela nos leva à mais profunda materialidade, não vista como outras escolas a vêem como negra, densa ou negativa. Nossos livros a definem como Sagrada, pois nela podemos chegar à mais completa realização que nos dá este poder de materialização, concretização, exatamente porque fomos, através do desenvolvimento evolutivo como raça, chegando a essa maturidade.

            Concepção, então, no sentido como gostaríamos de definir, é a capacidade de, saindo de idéias, conceitos como disse Sri Janardana, de desejo, ou Iccha, materializamos algo, fazendo tomar vida, tornar real, concreto, seja desde construir uma história de vida bonita e agradável até colocarmos um projeto em prática, executá-lo, levando finalmente ao nascimento.

            Dizemos, melhor, perguntamos, então, como podemos manifestar algo se não sabemos o que é, como funciona, quais são as leis que regem seu funcionamento, qual é a sua natureza?

            Fazer algo nascer, tomar forma é aprender a tornar uma idéia real. Qualquer nascimento, seja humano ou de uma nova forma de vida, de um novo paradigma saiu necessariamente de um pensamento que, alimentado virou desejo e que, amadurecido, virou realidade.

            O grande projeto do divino em nós é que alcancemos a plenitude humana, chegando a nos tornar sintéticos, unos, sabendo viver harmoniosamente como matéria, energia e espírito, conhecendo-os e respeitando-os em sua manifestação e sabendo utilizá-los como seres maduros, responsáveis, cientes que nossa intervenção e interação conscientes geram o mundo e a vida que, acreditando ou não, materializamos.

            Impossível chegar às maiores iniciações sem o completo conhecimento da condição material, objetiva, desde sabermos administrar bem nossa condição material, financeira, até nosso corpo físico, precisam ser completamente conhecidos, percebidos, desvendados para nos tornarmos senhores e administradores da vida em sua perplexa, complexa e mágica manifestação, co-autores dos nascimentos nossos, individualmente falando, assim como dos processos planetários, dos quais, esperamos que cada vez mais conscientemente, possamos participar.

            O que nos move como causa remota, a nascer é nossa eterna e incansável volta do filho pródigo. Temos padrões de paraíso infinitos que buscaremos. Hoje, ainda temos que vencer uma quantidade enorme de ignorâncias que regem nossos conceitos de vida: separada, materialista ou espiritualista e até, ainda, que bem menos em quantidade, um número grande de falta de questionamento com relação ao porque da própria existência, o que gerar aquilo que chamaríamos de causa próxima ou karmas, ações e reações.

            Voltamos, para finalizar, a dizer então da importância de termos uma relação honesta, sadia e madura sobre nossa condição física, espiritual e emocional. Dar o devido peso à nossa condição humana, cuidando e conhecendo nosso corpo físico para, de forma completa, tratarmos nossa oportunidade de novamente termos podido tomar forma e, principalmente, gerar condições para materializar, a partir de nós, outros seres.

            Para atrairmos, vibratoriamente seres superiores ou aquilo que chamaríamos de bons, ajustados e exemplos de filhos para humanidade, é preciso que tenhamos uma percepção clara do seja isto, e, também, por sintonia mais sutis podermos gerar tais ressonâncias.

            Para vivermos de maneira Suddha o nosso próprio nascimento que criá-la a partir da construção das condições que aprendermos a harmonizar, respeitando matéria, energia e espírito. Para gerarmos um nascimento Suddha, torna-se necessário um encontro de duas almas, em que o ato sexual seja o encontro de duas razoes, dois corações e, finalmente, também dois corpos. No mundo em que vivemos hoje, com a liberação sexual, muitas vezes percebemos somente o encontro de dois instintos que promovem o encontro de dois corpos, nem sempre acompanhado de dois corações ou razoes. Sem conhecermos devidamente nossos instintos, nossas emoções, nossas idéias nos esbarramos afetivamente em outros que, quase sempre, da mesma forma, se aproximam, e geramos aí nossas expectativas, alegrias e decepções e, muitas vezes, outros seres. Antigamente, evolutivamente falando, tínhamos ainda muito mais instinto e menos razão e até, por uma condição cultural, menos associações movidas por afeto e carregadas por uma incrível carga de superstições, dogmas e também imposições, gerando seres menos evoluídos e certamente menos felizes.

            Vivemos além de infinitos nascimentos físicos como reencarnações, também infinitos nascimentos a cada mudança de grau vibratório que passamos como conquistas. A felicidade, prazer ou satisfação que experimentamos em cada corpo que vamos conscientizando vai gradativamente sendo ampliada até podermos crescer para suportar a carga vibratória de maiores iniciações que sabemos, por descrições de grandes seres serem de incrível carga energética, proporcionando prazeres também muito superiores e inigualáveis aos já conhecidos anteriormente, até que, finalmente cheguemos a viver o nascimento para o qual viemos para experimentar que é o que nos faz contatar nossa centelha divina, iniciando, a partir daí, uma nova trajetória evolutiva, que também continuará se desdobrando infinitamente em, sabe lá, quantas formas de outros e inimagináveis nascimentos.

            Que este atual momento evolutivo possa ser tratado como mais uma oportunidade única e inigualável de, aqui mesmo, já podermos conquistar significativos nascimentos, assim como semearmos a possibilidade de sermos merecedores, empreendedores e construtores de um próximo e Suddha nascimento.

 

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