Raja Yoga - Suddha Dharma Mandalam - Ashrama Subramaniananda - Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil

Raja Yoga - Artigos

Morte

Postado dia 05/02/2007 às 17:53 horas, por Administrador.

                                                         M o r t e

 

 

                 O ciclo evolutivo na Suddha Dharma se define como Criação, Preservação e Reintegração ou, Brahma, Vishnu e Shiva, sendo que o aspecto Shiva, também traduzido como tranformação ou  morte. Essa é a forma como naturalmente se percebe como o Ciclo da Vida, num sentido maior, num eterno fluir em que nascimento e morte se encontram e se contrapõem num contínuo movimento oposto e complementar. Tudo que tem começo necessariamente tem que ter fim.

                 Há duas maneiras que podemos  analisar a morte: como um ciclo natural que se conclui, fecho conseqüente de um processo e a outra,  a que mais nos ameaça que é entendê-la como um final, um puro e simples acabar, que, para a maioria das pessoas, é amedrontante.

                  Quando começamos um curso, naturalmente caminhamos para finalizá-lo e podemos dizer que seria também  um tipo de morte de uma etapa, uma fase. Essa seria a bem vinda morte que mais facilmente aceitamos. Se pudéssemos olhar com essa mesma tranqüilidade para o curso da vida como também uma escola em que aprendemos matérias, fazemos provas, somos aprovados ou não nas diversas disciplinas da vida certamente  nossa relação com o fim do corpo físico seria mais  simples e menos  ameaçador,  encarando essa nossa passagem por aqui como de fato é.

                  Nos sistemas de iniciação da Suddha Dharma temos um especificamente para o momento dessa transição que é chamado Vashista.  A  frase ali enunciada mostra  a naturalidade com que esta mudança de estado é tratada aqui.

                  “Buscando alcançar  os estados espirituais mais elevados, o aspirante, estando às margens de sua próxima dissolução, pronuncia e medita no monossílabo OM,  que representa a divindade difundida em toda a matéria universal, com suas diversas formas separadas e ao mesmo tempo unificadas no Parabrahmam e Sua Shakti MAM.

                   Com este pensamento o aspirante abandona seu corpo físico, que foi o veículo com o qual experimentou o Karma que lhe correspondeu nesta vida”,  Yoga Dípika

                  Neste texto ficam claras as duas principais posturas que gostaríamos de tratar: impessoalidade com o corpo (veículo) e com a dissolução (morte).

                  Com relação à impessoalidade com o corpo, quando diz que “abandona seu corpo físico, que foi veículo com o qual experimentou o Karma que lhe correspondeu nesta vida” mostra que isto foi tratado como o lugar, a casa que ocupou  para viver as circunstâncias que favoreciam o processo de crescimento daquela alma. Toda a carga genética, todas as situações difíceis  e prazerosas que por mérito foram atraídas para alavancar aquela evolução, trazendo sempre crescimento nos mais diversos setores daquela trajetória humana. Se voltamos àquela analogia que fizemos anteriormente comparando a vida a uma escola, diríamos que seriam todos os professores, colegas de classe, dificuldades e facilidades nas mais diversas disciplinas etc... que foram, são e serão o que conhecemos normalmente numa convivência de cursos pelos quais passamos ao longo da vida. São normais os trabalhos, avaliações, expectativas, decepções e sucessos, assim como convivências mais ou menos fáceis e por aí vai...Em cada dia de aula concluímos uma etapa, em cada bimestre, em cada semestre, em cada ano fechamos e morremos até que finalmente vivemos o grande final. A cada dia, um nascer  e pôr-do-sol. A cada minuto que terminamos de viver, e não mais voltaremos a repeti-lo. E, finalmente a inspiração que nos enche de vida, onde nascemos, e, ao expirarmos, completamente, esgotamos o processo também fechando e morrendo.

                      E, quando o texto diz “sua próxima dissolução”, podemos interpretar de duas maneiras: proximidade no sentido de estar por acontecer, que virá  logo a seguir, assim como uma nova e outra dissolução como tantas outras que já vivemos e viveremos já que a Suddha Dharma é reencarnacionista. Quantos corpos e personalidades já “vestimos” ao longo de nossa evolução como almas? Quantas dissoluções já processamos com doenças, repentinamente, lentamente, como homens ou mulheres,  como crianças ou talvez muito, muito idosos...

                     Tenho uma comparação que costumo fazer que me parece esclarecedora e didática: como se fôssemos atores que interpretam muitos papéis. Vivemos em cada filme, em cada novela um personagem ao qual para sermos bons atores,  temos que dar  o melhor de nós para  que continuemos a ser considerados eficientes. Literalmente vestimos o papel, carregando para cada interpretação tudo que aprendemos nos anteriores; com todas as falhas procurando superá-las, e com todas as facilidades, procurando também aprimorá-las. O ator é nosso sentido de alma, ou ego. Aquele que mantém seu processo de continuidade evolutiva, acumulando experiências em cada personagem que desempenha, e o espírito é o Observador,  a Testemunha ou o Diretor que dá os papéis para o ator interpretar, observando suas verdadeiras aptidões, explorando o melhor delas e criando desafios para que o ator se supere. Quando olhamos para a vida e a morte com essa impessoalidade, com esse senso de experimentação a cada personagem, tiramos o peso dos medos e minimizamos as expectativas  sabendo que esse é o processo de crescimento deste Maha Lila, Grande Jogo, que é a vida num sentido mais amplo. Com este novo enfoque tratamos a experiência da vida e morte como uma seqüência que começa com a euforia com o novo papel com todas as suas possibilidades, facilidades e dificuldades, todo o investimento para que o sucesso do personagem aconteça e sabemos que, necessária e naturalmente, o seu final virá, deixando a carga daquela última oportunidade que, como tudo que fazemos, vem carregado das nossas mais significativas emoções ali vivenciadas. Da mesma forma,  quando nascemos, o corpo físico é o último a tomar consciência e materializar, com este final acontece igual: normalmente os corpos sutis vão sendo “avisados” anteriormente, retirando aos poucos sua energia dali e gradualmente recolhendo, guardando suas experiências para que, como num arquivo, recolhidas, possam numa nova oportunidade serem estimuladas e utilizadas.

                     Além  dessa forma de encarar o ciclo de ir e vir, não podemos deixar de também perceber a proposta como vimos no Sistema Vashista que, com serenidade, nos fala para que pronunciemos e meditemos no monossílabo OM,  difundido em toda a matéria e a unifiquemos em MAM, na sua Suprema Shakti, como sendo mais uma das infinitas práticas que fizemos e continuaremos a fazer, realmente descrevendo, nesta meditação, neste momento extremo, como sendo o conclusivo desta existência, como outra qualquer, ou seja, em que nos exercitamos na percepção da divindade, manifestando ou unificando, também, neste momento, como viemos ao longo da  vida cumprindo como membros do Mandalam, encerrando com este fecho uma continuidade de execuções, Sankalpas, também aqui.

                      O que vemos aqui é a sempre e continuada coerência Suddha fazendo deste momento de dissolução da existência física, não como um estímulo para rever culpas, erros e “pecados”, nos tirando daquele ”agora”, movendo-nos para um passado irreversível, mas, sim, lembrando-nos aqui, também, neste novo e significativo “agora”, instante de transição, de conclusão, de oportunidade de vida, que, aqui, mais uma vez, devemos, mais ainda, estarmos lembrando de pronunciar e meditar no monossílabo OM, nos recordando de nossa origem divina, difundida na matéria universal e, ao mesmo tempo, da Suprema Shakti, que dá vida e a tudo unifica em MAM, sacralizando também este momento, conscientemente, nos deixando dissolver em Deus OM, entregues ao Seu Divino Poder MAM.

                     Esperamos que a reflexão sobre este instigante tema, que é a morte, nos faça abrir outras  conscientizações e atitudes e que, com isso, nos faça lidar com mais facilidade com o aspecto Shiva da própria manifestação, trazendo uma  melhor competência para digerir com mais tranqüilidade mudanças e transformações que o próprio viver com consciência Suddha nos                             propõe.              Julho/2005-Poços de Caldas / Telma Jábali Barretto

 

          

               

 

 

 

 

Veja outros artigos


Suddha Dharma Mandalam - Ashrama Subramaniananda - Ribeirão Preto /SP Brasil