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Dharma

Postado dia 04/12/2006 às 10:51 horas, por Administrador.

           Segundo os Mestres da Fraternidade Branca, a conceituação do termo sânscrito Dharma, tem amplas aplicações. Literalmente, essa palavra significa Lei, mas, conforme sua presença dentro de um texto, pode também apresentar outros ângulos de interpretação. Em alguns casos, essa palavra expressa a natureza interna de um ser, em outros, a aplicação da justiça e, ainda, um estado de consciência. Essa palavra tem também um caráter pessoal e coletivo. Segundo o padrão de ética que conquistamos, despertamos cada vez mais a nossa consciência espiritual e, conseqüentemente, ampliamos nossa inteligência para atuarmos cada vez melhor no Dharma.
            Existe uma outra visão do Dharma (segundo os Mestres), pois essa palavra expressa também proteção do ser, regra de conduta que leva a criatura à paz e à felicidade, tanto nos aspectos mundanos como espirituais.
            Segundo as obras Suddhas, o Dharma evolui no ciclo dos milênios – individual e coletivamente – e, assim sendo, o que era regra de conduta para os seres humanos na época de Moisés, por exemplo, jamais teria aplicação em nossos dias. Naqueles tempos, a transgressão da lei mosaica, em seus menores aspectos, poderia implicar até na morte de seu autor. Dessa forma, na medida em que se processa a evolução da consciência, modifica-se o Dharma, passando pela fase infantil até a mais elevada maturidade.
            A fonte-raiz de todo Dharma é o Amor, e sua grande meta é conduzir o aspirante à felicidade e à sabedoria, atributos indispensáveis para a libertação da alma e sendo assim, ele deve possuir vários níveis, para servir a todos os seres. Vamos analisar agora os quatro aspectos universais de Dharmas.
 
            1º) – PRAKRITI DHARMA (Apara-brahman)
            (Leis materiais)
 
            O Deus Absoluto, o Deus Único (segundo os Mestres da Fraternidade Branca Suddha Dharma) possui dois aspectos: Parabrahman (imanifestado) e Aparabrahman (manifestado). Todo Cosmo manifestado e todos os seres viventes, em todos os níveis materiais e espirituais, se encontram DENTRO do Absoluto (imanifestado). Conseqüentemente, o relativo não pode conceber o Absoluto, daí a razão da Srimad Bhagavad Gita (a escritura suprema) afirmar: “ . . .nem a Hierarquia dos Adeptos, dos Anjos e Arcanjos podem definir o Absoluto”. Assim sendo, as Ciências, as Filosofias e as Religiões devem e podem manifestar seus conceitos sobre o Cosmo e seu conteúdo apenas no manifestado. Partindo desse princípio básico, a Fraternidade Branca classifica, de forma sintética, a manifestação e a estrutura do Universo em três grandes aspectos: Atma, Prakriti e Shakti (Espírito, Matéria e Energia); esses três princípios são eternos e interligados e criam, em todo o Universo, todas os sêres e as formas, através de vinte e quatro elementos atômicos, que atuam desde do mineral, vegetal, animal inferior e humano e até no reino angélico. Nos seres sensientes, esse processo se desdobra em quatro níveis de Dharma, ou seja: Sabedoria, Amor, Ação e Síntese. Na escritura dos Yogues (Srimad Bhagavad Gita), a única que possui a mensagem integral, nós encontramos a instrução que os Grandes Mensageiros divulgaram para Humanidade, como segue:
            Sri Krishna – a síntese dos quatro Dharmas;
            Moisés, Mahomet – a lei do Dever;
            Buda – a lei da Sabedoria;
            Jesus Cristo – a lei do Amor.
            A vivência desses quatro Dharmas, para a humanidade de nossos dias, é a mensagem suprema da Grande Fraternidade Branca (Suddha Dharma) e constitui a meta de todo discípulo conscientemente desperto.
            A nossa capacidade de percepção e vivência do Dharma está vinculada ao nível em que despertamos nossa consciência; dessa forma, na busca do conhecimento, passamos por três fases descritas pelos Mestres, ou seja, tamásica (inferior), rajásica (mesclada) e sátwica (superior). Na Bíblia, nos primeiros capítulos do evangelista São João, existe uma descrição bem clara sobre a descida da energia cósmica, no texto que diz: “ No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus...”, que enfatiza o mesmo conceito dos Mestres Suddhas, os quais afirmam que antes da luz, já existia o Som (o Verbo Criador),descrito esotericamente como o Pranava A,U,M (pronuncia-se Om), expressando o A (Espírito), o U (Matéria) e o M (Energia).
            Conforme observamos, a forma mais próxima e objetiva para compreendermos o Dharma prakrítico (material) é através das Ciências humanas, o que envolve estudo dos mecanismos de causa e efeito, tanto no mundo físico como nos corpos dos seres, amplamente comentado pelos Mestres da Fraternidade, na análise dos 24 elementos básicos de toda a manifestação cósmica.
 
            ATMA DHARMA
            (Leis espirituais)
 
            Existe um preceito coerente e comum, tanto nas Religiões como nas Filosofias que consiste no seguinte: no universo manifestado não existe efeito sem uma causa. Se aceitarmos essa premissa filosófica, teremos que admitir que, a harmonia e o equilíbrio nos sistemas estelares só podem proceder da uma Inteligência transcendental; para os místicos e religiosos, este Poder Original é Deus; para as Ciências acadêmicas, materialistas e periféricas, em suas vãs pesquisas apenas no manifestado, não existe uma clara definição.
            Para melhor compreendermos um tema de tal transcendentalidade, nos lembramos da célebre frase do filósofo Sócrates, que define de forma sintética, a Ciência, a Filosofia e a Religião: “CONHECE-TE A TI MESMO, POR TI MESMO E DESCOBRIRÁS DEUS E O UNIVERSO”. Esse conceito, que envolve reflexão e meditação, é bem mais praticado no mundo Oriental do que no Ocidental, em face de nossas próprias idiossincrasias culturais. Os Mestres da Fraternidade costumam orientar para o autoconhecimento, como meta suprema, para os autênticos buscadores da Verdade. E essa parece ter sido a trilha, em todas as épocas, dos grandes sábios e místicos da humanidade. Nas tradições Suddhas, essa prática é conhecida como “Yoga-Brahma-Vidya” – (Ciência sintética do Absoluto), cuja vivência implica em ética superior de conduta, serviço impessoal ao próximo, estudo e meditação e, portanto, não deve ser confundida como um mero estudo das escrituras sagradas. A imensa maioria, todavia, acredita que basta estar vinculado a uma Igreja e simplesmente aceitar as instruções de um grande Mensageiro para alcançar a salvação ou liberação dos ciclos dos renascimentos. Os Grandes Mestres – Krishna, Moisés, Buda, Jesus e outros nos mostraram o caminho, mas compete a nós percorrê-lo! Para se alcançar tão gloriosa meta, temos que percorrer um longo caminho, começando pela fase infantil das instruções religiosas até alcançarmos a Sabedoria Divina. Se tivermos suficiente discernimento, devemos buscar o Caminho, através dos ensinamentos e práticas dos sábios e santos e não de autoridades eclesiásticas, não obstante dos cargos e projeções mundanas que desfrutam, mas que são destituídos de auto-realização espiritual. Essa é a senda do caminho espiritual.
 
            SUDDHA DHARMA 
         (Lei transcendental)
            Este sistema busca a unificação das leis humanas, espirituais e divinas. Achamos aqui oportuno um esclarecimento quanto aos termos “ “Suddha” e “Dharma”. O primeiro (Suddha) expressa pureza, transcendental, suprema e o outro (Dharma) significa lei, reta ação, conduta etc.. Outro ponto fundamental é compreendermos que a Suddha Dharma é a exposição de todas as leis feitas pelos Grandes Mestres para conduzir a Humanidade para a sabedoria e a felicidade, é o conjunto de instruções e regras universais, aplicáveis em todas as épocas, raças e sistemas religiosos, de natureza transcendental; não foi fundada por nenhum Avatara, mas suas leis foram transmitidas por Eles, em ciclos diferentes do Tempo, segundo as necessidades humanas (Sabedoria, Amor, Ação e Síntese). É a Ciência Sintética do Absoluto, envolvendo toda a cultura humana, desde o mineral até o mais elevado Arcanjo, sendo, portanto, a  fonte raiz de toda Ciência, Filosofia e Religião. A vivência desse sistema é conhecida como  Mística Divina Experimental – onde o discípulo deve percorrer essa Senda através da pesquisa e vivência do mundo manifestado, matéria, energia e espírito,   mediante a análise (Sankhya) e Yoga (síntese ou busca da Verdade). De forma consciente ou não – todos os sábios e santos, em todas as épocas e religiões a praticaram. A Suddha Dharma não possui dogmas, divisões e nem impõe conduta contrária à natureza evolutiva do ser humano e se propõe a transmitir um sistema saudável e harmônico, para propiciar a evolução em todos os níveis.
 
            BHAGAVAD DHARMA
            (Leis cósmicas)
            Neste nível, poucos poderão comentar, pois se trata das leis divinas que governam todo o Cosmo, sendo do domínio dos seres angélicos e dos Regentes Planetários. A instrução para nossa evolução humana é transmitida pelos Grandes Mensageiros (Cristos) que estabelecem as regras de conduta para alcançarmos paz, sabedoria e amor. As leis divinas estabelecidas estão além da compreensão humana e só podemos entender que suas manifestações nascem da Trindade: Brahma (aspecto criador de Deus), Vishnu (aspecto preservador de Deus) e Shiva (aspecto desintegrador de Deus).
 
Sérgio Fonseca B. Barretto
Gnana Dhatha (Instrutor)
 
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